As escolas resguardam suas diferenças
Como tratar a rede escolar, sabendo que têm as mesmas finalidades, mas, no entanto, devem cultivar e expressar suas diversidades, seus ideais porque lidam com pessoas e contextos variados? Às vezes a tratamos como se tivessem que ser iguaiszinhas, essa pretensão da igualdade pode acontecer quando se trata dos resultados, mas deve ser garantido espaços de expressão de suas diferenças no processo em que a cultura e os saberes são trabalhados e reelaborados. Os problemas que as mesmas enfrentam podem ser semelhantes: infra-estrutura adequada ou não, equipes de pessoal e sua (in)compatibilidade com a demanda escolar, necessidade de equipamentos, relações com familiares que pode ser construtiva ou não ser em certos momentos por conta de uma juventude que se mostra por vezes, alheia aos projetos de aprendizagem e manifesta conduta que não fortalece seu processo de formação, além de outras questões que emperram o andamento das atividades escolares, porque a sua existência pressupõe aglutinação de interesses em favor de uma única finalidade, a formação humana, em favor da pessoa, da família e da sociedade.
Um fato a considerar é que as mesmas estão em funcionamento e nessa condição forjam –se as relações, fortalecem ou enfraquecem os valores, que dão significância a vida em seu universo de existência. E assim, tem-se a inegável condição para expressão da singularidade decorrente da coletividade que lhe constitui. E esta singularidade jamais poderá se perder no âmbito da pluralidade das escolas públicas. Neste aspecto, acredito que temos cometido muitos pecados, reforçando uma pseudo “igualdade”, por conta dos elementos desafiadores, talvez os mesmos ou parecidos como se diz comumente. Assim, identidade é expressão da singularidade, que cada uma deve reservar para si. Pensando na “máxima da diferença” precisa-se refletir acerca do que é preciso superar ou reforçar, em termos dos elementos determinantes dessa diferença.
Talvez por isso o governo no esforço de exercer o papel de controlador dos resultados dos processos que a escola desenvolve em seu interior e em sua articulação comunitária, e por força da própria política de educação vigente, tenha fechado o cerco em torno de nós educadores e escolas, através das avaliações, como a Prova Brasil e demais indicadores do IDEB, que ilustram o resultado da política implementada tanto a nível de cada sistema, das unidades da federação bem como de cada unidade de ensino, aliás o interesse fica claro que pesa sobre esta última, temática que merece amplo debate, para o qual deve-se incluir toda sociedade.
Há de se destacar que não devemos reforçar a idéia, que aparece como pano de fundo em tudo isso, a de que exista escola melhor ou pior, valorizar a singularidade não tem esta pretensão, mas reforçar a riqueza que merece ser cultivada que é a diversidade cultural que um projeto escolar pode atrair para si. A complexidade do trabalho pedagógico é tão ampla, que é possível encontrarmos diferentes níveis no esquadrinhamento de suas variáveis, assim pode-se revelar o que potencialmente provoca a riqueza de cada uma, sem perder de vista que o foco de todas é a aprendizagem do aluno, seu sucesso escolar. Os caminhos são vários. E cada uma deve estar atenta a cuidar das organizações dos espaços e tempos que garantam a aprendizagem realmente significativa, a que provoca mudanças nas estruturas de pensamento, nos modos de ser e interagir dos sujeitos desses processos.
Como possíveis caminhos a trilhar situaria a necessidade da compreensão das linguagens, a nossa de educadores e pais e a de nossos alunos crianças e jovens. O que fazer para que compreendam intensamente os intentos políticos pedagógicos, filosóficos que temos para eles? Seria possível associar a idéia de presente e futuro e seus ganhos com a educação, para a conquista do mais engajamento? Eis a questão que deve encaminhar nossa mobilização . Porque ao que parece somente ouvindo-os para encontrarmos possíveis s brechas para o adentramento ao seu universo de interesses e utopias. Seria possível sairmos da superfície e da efemeridade desses nossos (des)encontros com eles, para construirmos de fato parceiros de aprendizagem? A partir de uma relação um pouco mais horizontalizada, que quebraria quem sabe a frieza e ranços da relação verticalizada e hierarquizada, resguardados o limite dos papeís sociais que cabe a cada segmento, que não menospreza a autoridade constituída, seja as autoridades educacionais ou familiares.


6.10.10
Tereza de Jesus R. Oliveira
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