O programa surge para tender ao desafio em lidar com a adolescência que optava por estudar no horário noturno, em decorrência da falta de vaga no diurno, ou de disponibilidade de tempo e os adultos que não tiveram acesso ao ensino na idade apropriada, na perspectiva de construção de uma possibilidade de realização humana através da educação, apesar de toda adversidade da realidade sócio-cultural e educacional. Essa possibilidade se apoiaria no diagnóstico que por sua vez seria indicativo da necessidade apropriada a clientela a ser atendida no universo.
O quadro situacional apontava que a evasão atingia em maior incidência a idade mais jovem, ou seja, dos 15 aos 17 anos, reduzindo-se progressivamente a medida que a idade aumentava, era como se o tempo sem formação elevasse o nível de interesse. Isto nos fez pensar no enturmamento, mesclar as turmas por faixas de idade e gênero. Outro fator era a mobilidade no trabalho, não havia, até mesmo por falta de formação, estabilidade no trabalho ou se tinha era em proporção pequena. Então, ocorria do aluno cursar um semestre de estudo, obtendo resultado satisfatório e não poder dar continuidade ao mesmo naquele ano e os estudos ficarem sem proveito para comprovação de escolaridade, curriculum vitae, a não ser para a experiência de vida, pois o que é construído significativamente não se perde jamais.
Tendo em vista essa preocupação iniciamos um estudo e discussão com os segmentos, professores, coordenação, alunos, pais, órgãos do sistema SEMED, CME e o próprio Conselho Escolar. Tínhamos anseio por um projeto que visasse atender a necessidade dessa clientela, ou seja, uma formatação do curso da EJA, que lhes fossem favorável para as condições sociais e de aprendizagem. Então escrevemos a proposta denominada PEJAS, a princípio a denominação era PEJAC, porque a ideia que prevalecia era de organização de ciclos menores de estudo, ao contrário do que se oferece para as crianças do Ensino Fundamental, onde a necessidade é de ciclos de tempo mais amplo de estudos. Mas, por orientação do Conselho ficou mesmo Programa de Educação de Jovens e Adultos Semestral e encaminhamos para a SEMED e CME, que autorizaram o funcionamento desse projeto, que se desenvolveu em forma de Programa de Ensino. Colocávamos que a organização didática e material de expediente seriam adaptados. Assim fizemos. Todo material foi organizada para atender aos ideais do Projeto.
Para cada semestre organizávamos temáticas de estudos a serem desenvolvidas pelos diferentes professores, as quais seriam apresentados no final do semestre. As temáticas eram eleitas conforme interesse da turma e visava integrar turmas/alunos/professores. Ao longo do semestre os professores deveriam desenvolver seus conteúdos de aula em paralelo a orientação de projetos. Foi motivador, construtivo e inovador, a ponto de projetos da PEJAS serem selecionados para a Feira Estadual de Ciências, ocorrida em Belém/2008.
NA III Conferência Municipal de Educação ocorrida em junho/2011, essa modalidade de organização ensino para a EJA foi aprovada para a rede municipal de ensino de Marabá.


9.8.11
Tereza de Jesus R. Oliveira
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