terça-feira, 9 de agosto de 2011

EXPERIÊNCIA ESCOLAR DE IMPLANTAÇÃO DOS CICLOS DE FORMAÇÃO


A idéia de modificação da organização do Ensino Fundamental para uma outra forma não seriada, surge na Escola, por ocasião da elaboração do 1° PDE no ano de 1999, quando constatamos o índice preocupante de evasão e reprovação escolar especialmente nas séries iniciais (1ª e 2ª e 5ª série), o que nos veio em mente naquela época,  foi a mudança na organização do Ensino Fundamental. A idéia perdeu força porque as condições pareciam impossíveis, não havia da parte da SEMED, qualquer manifestação nesse sentido. Além do mais o Ensino Fundamental era ofertado por dois mantenedores, sendo  o Município, com o segmento de 1ª a 4ª séries e o Estado com o de 5ª a 8ª séries.
Uma mudança dessa natureza passaria necessariamente pela  articulação e integração desses dois segmentos de um mesmo curso – o Ensino Fundamental, que a legislação do Ensino não tinha conseguido, nossa intenção era alcançar maior nível de unidade entre os dois segmentos. Acabamos por optar em não registrar em nosso Plano esse intento, já que o mesmo deve trabalhar com a dimensão da governabilidade das ações propostas, e mexer com o regime de Ensino ia requerer uma série de outras decisões que fugiam a nossa competência. A idéia parou por aí, mas as ações do Plano visavam criar condições de mudança na prática pedagógica, o que conseqüentemente resultaria em benefícios ao rendimento escolar.
 A título de exemplo, os curso de capacitação de professor foram realizados para os dois segmentos, com ressalva as especificidades relativas às séries ou áreas do conhecimento que exigiam tratamento específico. Posteriormente, com a municipalização de 5ª a 8ª séries nosso plano seguiu essa mesma diretriz.
Posteriormente no bojo da discussão e elaboração do PPP (Projeto Político Pedagógico) a idéia tomou força e com a assessoria que a Secretaria de Educação recebeu do IPF (Instituto Paulo Freire) foi possível institucionalizar, através de um processo gradativo, a cada ano, e por adesão. Fomos, não sem uma reflexão anterior, do primeiro grupo, que optou consciente de que a organização do ensino favorecia um trabalho pedagógico pautado nos princípios de uma educação para a formação plena do ser.

O Currículo e o Ciclo
Convido a uma reflexão sobre o regime de ciclo implantado em nosso sistema de ensino de Marabá  que contou com a colaboração de educadores renomados nacional e internacionalmente como DANILO GANDIM, MOACIR GADOTTI, PAULO PADILHA, CARLO HENRIQUE CARRILHO CRUZ, ANGELA CISESQUI, dentre tantos outros, sendo boa parte destes do Instituto Paulo Freire, a maior referência mundial de educação. Pois sim, Marabá recebeu estas celebridades na área da educação, que deixaram sementes para cultivarmos mudanças em nossas escolas e em nossa comunidade, através das propostas pedagógicas que devem ser elaboradas de forma democrática, nunca devamos esquecer-nos desse princípio legal sob pena, dela não ter outra finalidade senão a meramente burocrática. Que não esqueçamos nunca disto.
 Então retornando ao ponto anterior, o que temos feito depois da inestimável contribuição desses educadores, que nos subsidiaram na reorganização do ensino fundamental em regime de ciclo? Que passos foram dados a mais da idéia inicial? Que desafios temos para desenvolver essa organização de ensino que demonstra ser menos excludente, e mais voltada às fases de desenvolvimento da pessoa humana, portanto aos propósitos dos direitos á educação plena. E assim romper com o ensino em série, que se origina de uma lógica de mercado e da indústria, não contempla as diferenças, apela para a homogeneização com modelo de currículo que nega o multicultural e o pluralismo presentes em nosso contexto social .

Tereza de Jesus Rodrigues de Oliveira

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