A idéia de modificação da organização do Ensino
Fundamental para uma outra forma não seriada, surge na Escola, por ocasião da
elaboração do 1° PDE no ano de 1999, quando constatamos o índice preocupante de
evasão e reprovação escolar especialmente nas séries iniciais (1ª e 2ª e 5ª
série), o que nos veio em mente naquela época,
foi a mudança na organização do Ensino Fundamental. A idéia perdeu força
porque as condições pareciam impossíveis, não havia da parte da SEMED, qualquer
manifestação nesse sentido. Além do mais o Ensino Fundamental era ofertado por
dois mantenedores, sendo o Município,
com o segmento de 1ª a 4ª séries e o Estado com o de 5ª a 8ª séries.
Uma mudança dessa natureza passaria necessariamente
pela articulação e integração desses
dois segmentos de um mesmo curso – o Ensino Fundamental, que a legislação do
Ensino não tinha conseguido, nossa intenção era alcançar maior nível de unidade
entre os dois segmentos. Acabamos por optar em não registrar em nosso Plano
esse intento, já que o mesmo deve trabalhar com a dimensão da governabilidade
das ações propostas, e mexer com o regime de Ensino ia requerer uma série de
outras decisões que fugiam a nossa competência. A idéia parou por aí, mas as
ações do Plano visavam criar condições de mudança na prática pedagógica, o que
conseqüentemente resultaria em benefícios ao rendimento escolar.
A título de
exemplo, os curso de capacitação de professor foram realizados para os dois
segmentos, com ressalva as especificidades relativas às séries ou áreas do
conhecimento que exigiam tratamento específico. Posteriormente, com a
municipalização de 5ª a 8ª séries nosso plano seguiu essa mesma diretriz.
Posteriormente no bojo da discussão e elaboração do PPP (Projeto Político Pedagógico) a idéia tomou força e com a assessoria que a Secretaria de Educação recebeu do IPF (Instituto Paulo Freire) foi possível institucionalizar, através de um processo gradativo, a cada ano, e por adesão. Fomos, não sem uma reflexão anterior, do primeiro grupo, que optou consciente de que a organização do ensino favorecia um trabalho pedagógico pautado nos princípios de uma educação para a formação plena do ser.
O Currículo e o Ciclo
O Currículo e o Ciclo
Convido
a uma reflexão sobre o regime de ciclo implantado em nosso sistema de ensino de
Marabá que contou com a colaboração de educadores renomados nacional e
internacionalmente como DANILO GANDIM, MOACIR GADOTTI, PAULO PADILHA, CARLO
HENRIQUE CARRILHO CRUZ, ANGELA CISESQUI, dentre tantos outros, sendo boa parte
destes do Instituto Paulo Freire, a maior referência mundial de educação. Pois sim,
Marabá recebeu estas celebridades na área da educação, que deixaram sementes
para cultivarmos mudanças em nossas escolas e em nossa comunidade, através das
propostas pedagógicas que devem ser elaboradas de forma democrática, nunca
devamos esquecer-nos desse princípio legal sob pena, dela não ter outra
finalidade senão a meramente burocrática. Que não esqueçamos nunca disto.
Então retornando ao ponto anterior, o que
temos feito depois da inestimável contribuição desses educadores, que nos
subsidiaram na reorganização do ensino fundamental em regime de ciclo? Que
passos foram dados a mais da idéia inicial? Que desafios temos
para desenvolver essa organização de ensino que demonstra ser menos
excludente, e mais voltada às fases de desenvolvimento da pessoa humana,
portanto aos propósitos dos direitos á educação plena. E assim romper com
o ensino em série, que se origina de uma lógica de mercado e da indústria, não
contempla as diferenças, apela para a homogeneização com modelo de currículo que
nega o multicultural e o pluralismo presentes em nosso contexto social .
Tereza de Jesus Rodrigues de Oliveira


9.8.11
Tereza de Jesus R. Oliveira

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